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A história da origem do surf

Surf é o esporte de se descolar sobre a face das ondas em direção à praia sobre uma prancha, sendo definido também, como um ato ilusório e simples de apanhar uma onda em cima de uma prancha. O culto do surfe nasceu num passado distante irrecuperável – ninguém sabe onde ou como, ao certo.
Talvez a resposta esteja no DNA dos habitantes costeiros do Oceano Pacifico. As hipóteses mais aceitas mundialmente afirmam que o surf nasceu na Polinésia ou no Peru, duas regiões cercadas pela águas do Pacífico Sul.
No início era apenas diversão, o puro prazer de deslizar sobre as ondas. Ao regressar a terra firme após horas ou até mesmo dias trabalhando mar afora, descobriu-se ser mais emocionante e desafiador descer as ondas de pé sobre o casco das embarcações.
O primeiro relato de indivíduos que deslizavam sobre as ondas aconteceu no Peru, onde a população litorânea tinha hábitos ligados ao mar e sempre no retorno de suas pescarias voltavam à praia com seus “cabalos de totora” deslizando sobre as ondas.

peru - A HISTÓRIA DA ORIGEM DO SURF

Ainda que de origem duvidosa, existem teorias que apontam os polinésios como descendentes dos índios peruanos que viajavam pelas correntes daquele oceano. O que se pode afirmar sobre este povo é que foram grandes marinheiros, exímios pescadores e mergulhadores além de construtores habilidosos de barcos com complementos de grande estabilidade.
Navegando pelos padrões que os ventos, a terra e as correntes criavam na água e seguindo o caminho das estrelas e do coração, os aventureiros polinésios cruzaram o Equador e chegaram às ilhas havaianas, encontrando apenas formações rochosas, tempestades e poderosas ondas.
Uma vez no Havaí, os exploradores deram origem a uma nova civilização, adaptando a mitologia e o modo de vida das ilhas à sua cultura, especialmente no brincar com as ondas do oceano. As tarefas diárias eram deixadas de lado sempre que houvesse um bom surf. Os homens, as mulheres, os jovens, todos participavam, até mesmo a realeza das ilhas, que por seu grande amor à atividade, dava-se ao luxo de reservar os melhores locais para uso particular.

Primeiros havaianos surfistas – foto Hawaii Maritime Center 1

Primeiros havaianos surfistas – foto Hawaii Maritime Center 2Primeiros havaianos surfistas – foto Hawaii Maritime Center

Na segunda metade do século XVIII, os primeiros havaianos continuavam a ser peritos do surf. Infelizmente, as poucas relíquias que encontramos de 200 anos atrás escassamente revelam o que se passou antes dos navios Resolution e Discovery, do Capitão James Cook, avistar as ilhas em 1778.
O fato dos indígenas praticarem os esportes nus provocou imediato preconceito e condenação de missionários religiosos que tentavam propagar sua fé e costumes pelo mundo. No afã de conquistar a região, a cobiça do homem branco trouxe as doenças, o subjugo, a miscigenação e a conseqüente dizimação da população nativa e seus costumes, dentre eles o surfe.
No virar do século as ilhas tinham se tornado território americano. A população de havaianos puros foi dizimada, os nativos eram sobretudo cristãos e o surf regredira pelo menos 100 anos.
Muitos surfistas resistiram à colonização branca, mantendo o surfe como a mais amada e praticada atividade cultural. O destaque nessa época era o jovem Duke Paoa Kahanamoku, considerado o pai do surf moderno.
Nascido em 1890, Duke transformou-se num nadador fenomenal, ganhando duas medalhas de ouro olímpicas (1912 e 1920) e batendo o recorde mundial dos 100 metros livres em 1914, com 53,8 segundos. Em 1914, foi convidado pela Associação de Natação de Nova Gales do Sul para ir à Austrália. No dia 23 de dezembro, entre as participações em demonstrações e competições de natação, o havaiano fez uma exibição de surf para as multidões de Freshwater, perto de Sidney.

Duke Kahanamoku, o pai do surf moderno 1

Duke Kahanamoku, o pai do surf moderno 2Duke Kahanamoku, o pai do surf moderno.

Com a semente plantada na América, Europa e Oceania, Duke tornou-se o símbolo universal do surf e do espírito aloha, sendo lembrado até hoje como o maior responsável pela divulgação do surfe em nível mundial.
Entre os fãs de Duke estava um jovem campeão de natação de Wiscosin: Tom Blake. Transferindo-se para o Hawaii, Tom Blake também se tornou um dos surfistas mais influentes do século XX, não só pelo seu inovador design de pranchas, mas sobretudo por considerar o surfe um estilo (modo) de vida.

Tom Blake e Duke

Tom Blake e Duke

Em 1948 o Surf já havia criado raízes na costa da Califórnia, onde um menino magrinho de 10 anos de Hermosa Beach, Greg Noll, estava imerso na subcultura emergente. Seguindo os passos dos pioneiros Pete Peterson e Lorrin Harrison, Noll atingiu o nível desses esportistas excêntricos criando um estilo de vida totalmente novo e livre. “No inicio dos anos 50 foi como se alguém tivesse ligado o interruptor da luz. O surfe começou a crescer. Com o advento dos Long Boards mais leves, algo aconteceu.”
Com a introdução da madeira balsa leve e da fibra de vidro, materiais recém descobertos, as pranchas ficavam 50% mais leves e abriram caminho para os jovens aprenderem este esporte nada convencional.
Segundo Greg Noll, para essa nova geração o surf não era apenas algo que você fazia, mas algo em que você se tornava. Não é só um esporte: é um estado de espírito, que se torna tão importante que você passa a planejar toda a sua vida em função disso.
Em 1953, um jornal em Santa Monica publicou uma foto de três surfistas descendo a parede de uma onda de uns 9 metros. Essa simples imagem teve o efeito de um choque elétrico na Califórnia, causando o primeiro êxodo de surfistas da costa oeste americana para as Ilhas Havaianas e à praia de Makaha em Oahu, no Hawaii, que se tornou o primeiro paraíso acessível do surf de ondas grandes.
Mas foi George Downing, o responsável pelo molde que serviu para todos os surfistas de ondas grandes. Ele desenhou e construiu a primeira prancha de ondas grandes e ajudou na descoberta de outros lugares de ondas grandes em Oahu, principalmente o chamado North Shore.

molde George Downing

A descoberta do North Shore pelos surfistas equivalia a da America por Colombo. Era o único lugar do mundo onde havia tantos picos de ondas grandes, tão próximos uns dos outros. Paris é para moda e Brasil para o futebol, o que o North Shore Havaiano é para o surfe!
Mesmo que surfassem cada vez mais as ondas do North Shore, na época ainda faltava a eles pegar a maior onda – WAIMEA BAY – a onda que quebra quando o resto do North Shore está grande demais para surfar na remada. Contudo, a Baía de Waimea era repleta de tabus e medos, e era como se nesse lugar houvesse um monte de demônios. As pessoas acreditavam que quem desafiasse surfar lá, desapareceria.

Baía de Waimea

Com o tempo os surfistas foram se motivando com as ondas perfeitas que quebravam na baía até que num dia de outono, em outubro de 1957, alguns surfistas se encontraram em Waimea quando um swell de 6 metros eletrizava a baía. Esses surfistas desafiaram as ondas enormes e vazias. Estava quebrado o tabu de Waimea Bay e lançada a pergunta: qual será o limite do surfe?
A partir da década de 60 e 70 aconteceram as primeiras competições internacionais. Nos EUA, foi fundado por Fred Hemmings e Randy Rarick o IPS – International Professional Surfing – primeiro órgão responsável mundialmente pela estruturação de esporte em todos níveis de competições. Em 1993, o IPS desapareceu dando lugar a ASP (Association of Surfing Professional), representando uma nova era de significativa ascenção para o surfe a nível mundial.

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